Visão de Raio Xis

 

 

 

Quando abres o compasso do teu passo,

A cor da tua calcinha rendada,

Reflecte-se nas pedras da calçada

E no brilho do meu olhar devasso.

 

E cristaliza em mim esta loucura

De ir deixando nas pedras da avenida

Reflexos desta mente Já perdida

Que me torna feliz e me tortura.

 

E pelas madrugadas mal dormidas

Sonho ainda que nas pedras polidas

Há rendas que me fazem tão feliz,

 

Da calcinha que não esconde nada,

Que te desnuda em cada madrugada

Este meu doido olhar de raio xis!

 

 

Cândido, 16/10/2003

 

 

 

 

Mulher autentica

Tem na alma segredos do meu fado
Que eu desvendei em noites de ternura
E tem no sangue de cada aventura
Os genes da inocência e do pecado.
 
Tem nos seios o leite da riqueza
Para os filhos que a vida lhe parir
Tem no rosto vontades de sorrir
Pra quando se esbarrar com a tristeza.
 
É recta como a régua duma jura
É doce como a fruta já madura
Que o Éden deve ter no seu pomar.
 
Se nas voltas que o mundo ainda der
Eu voltar a encontrar essa mulher
É com ela que eu quero me casar.
 
 

Cândido

 

VOLTAR

Cinderela


Quando ela nos meus olhos se passeia
No seu jeito bonito de gazela
Meus pensamentos vão logo atrás dela
Ardendo nas fogueiras que ele a teia.

Quando o seu corpo a rir se bamboleia
Vejo-a do alto da minha janela,
Como sendo outra linda Cinderela
À meia noite duma lua cheia.

E toda essa beleza concentrada
Vem sentar-se na minha esplanada,
A lamber um sorvete cor do Céu.

Quando a língua passa no gelado
Fico a vê-la, inerte, siderado,
Como se esse sorvete fosse o meu.

 

Cândido, 4/11/2007