POR QUE, DEUS?

 

Arneyde Tessarolo Marcheschi

 


      Eu olhava meu marido, em seu leito,
      Triste e esperando pela morte,
      Ele estava calmo, tranqüilo, sereno,
      Mas, eu me sentia triste... solitária
      Porque não havia mais nada a fazer,
      Eu me sentia fraca, impotente...
      Havia perdido as forças, só restou o pranto.
      Eu Te procurava, eu Te queria junto a mim...
      Eu queria os Teus braços me amparando,
      Mas eu não Te via, e somente uma triste
      Solidão preenchia o meu ser, a minha alma.
      Meus olhos cheios de lágrimas e dores
      Impediam que eu Te visse com os olhos

do mundo, mas, de repente, Te
senti dentro de mim, tão próximo, tão próximo....
      Lentamente, minhas dores se dissiparam...
      Tu me sussurravas, porque
      não querias que ele nos escutasse
      para não perturbá-lo
      enquanto ele dormia o sono da morte.
      Eu pensava. Isto seria um castigo?
      Uma punição ?
      Porque agora me sinto melhor...aliviada?
      Será que a vida, invejosa do nosso amor
      nos golpeou com esse castigo?
      Deus, Pai de Amor,
      Acalenta o meu coração!
      Fiz tudo que era possível,
      Mas, Tu, Senhor, o quiseste junto a Ti.
      Eu Te peço, ajude-me! Que estas lágrimas
      que agora caem copiosamente
      possam, um dia, se transformar
      em momentos de paz, de serenidade,
      e que eu possa viver e  continuar
      a sentir este amor dentro de mim.
       Talvez a tristeza e a solidão tenham vindo
      através da separação,
      para me ensinar que até na dor
      encontramos também a fonte do amor.
      Não importa. Agora
      Eu me sinto calma, quase feliz!
      Agora, eu tenho a certeza
      de que mesmo longe...bem longe...
      eu consegui Te sentir , sentir Tua presença.
      Em todas as vezes que me sentia desesperada
      Tu me amparavas, me acolhias em Teus braços.
      Agora, tenho a certeza de que dentro de mim,
      dentro do meu coração, tu estarás

sempre abençoando o nosso grande amor,
      que jamais terminará!...

 

 



      Autoria: Arneyde Tessarolo Marcheschi

                    
        02/07/1997

      (Na quietude do Cemitério,
      onde nós velávamos o seu corpo)

 

Midi:  Canção da Índia

 

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