Pobre Poeta!

 

Cândido
 

 


Eu sou um arremedo de poeta
Que passa por aqui desesperado
A viver com as penas dum asceta,
A rascunhar as notas do seu fado.


Levanto a caneta em bicos de pés
Pra chegar ao mais alto do papel
Mas não posso passar dos rodapés
Montado no meu humilde corcel.


Se eu tivesse o ginete de Pessoa
Ou as asas em que Florbela voa
Chegaria onde a mente não alcança.


O que posso eu, de belo, escrever
Para que este mundo me possa ler
Montando o burrico de Sancho Pança.


Cândido, 21/03/2004

 

 

 

 

 

 

 

  Musica: Morning side

 

 

 

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