Pertença do Amor

José Roberto Abib


 


Não me pertenço
Nem mesmo sei quem sou
À sina não compreendo
Se não souber aonde estou



Tu, sim, és minha pertença
Nas claras águas da anuência
És ternura, franca presença,
Tal qual em beijos, a indulgência,



Clamas por mim como se soubesses
Que, isolado, o amor não se aquece
Mas queremos que os sonhos
Mesmo ante torvelinhos medonhos



Tornem-se divisa de primórdios
Pois começar é preciso,
E o tempo não pode parar
Nem mesmo aqui,
Na verdade, em nenhum lugar,
Não nos vale o relógio
Silente testemunha das horas
Importa, isto sim, soarem momentos
Em que o amor fez de nós
Amantes terrenos, a caminho do firmamento!

Capivari, 23/11/2007


 

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