OBSERVANDO ROSAS

Maria Hilda de J. Alão

 

N

Ó rosa por que não escondes
Da tua haste o espinho
Se no jardim, entre as flores,
Sempre foste a mais formosa?



Será que foi desengano
Que a fez tão prevenida
A ponto de ferir a mão
Que carinho lhe dedica?



Teu frescor me surpreende
Ó bela rosa carmesim,
Faz-me lembrar o dia
Que no altar eu disse “sim”.



Para mim és como um livro
Aberto em páginas de pétalas,
Fechado é severo cofre
Guardando secretos desejos.



Ó vento não despetales
A vermelha rosa da paixão,
Tingida que foi um dia
Com o sangue do coração.



Nada se iguala a ela
Em perfume, beleza e cor,
Maciez de tenro seio
Corpo de jovem mulher.



Amiga na hora derradeira
Entre soluços amargos
Enfeita o leito de quem dorme
O sono da eternidade.



E quando chegar teu fim, minha rosa,
Usarei de pompas e circunstâncias
Para sepultar-te seca entre as lembranças
Do dia em que viçosa, a mim, tu chegaste.

26/06/05.

 

N

 

 

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