MORRER, SENHOR

Augusto Frederico Schmidt 
(1906 - 1965)



Morrer, Senhor, de súbito, não quero!
Morrer como quem parte lentamente,
Vendo o mundo perder-se pouco a pouco
e com o mundo as imagens da memória.


Morrer sabendo próxima e implacável
A hora de deixar o doce efêmero.
Morrer, o olhar voltado para a altura
Para a face de Deus, ardente e pura.


Morrer como quem vai se despedindo,
A fixar as paisagens mais antigas
E os seres mais longínquos, já partidos.


Morrer levando a vida já vivida!
Morrer maduro, e não qual fruto verde
Por violência dos galhos arrancados.
 

 

 

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