MORANGO PECAMINOSO

           Maria Hilda de J. Alão.


Lábio extra-vermelho
Morango pecaminoso,
Vestido curto demais
Tecido com fios do nada.


Passeia nas calçadas
Das ruas caóticas dum cais,
Vendendo carne aos abutres
Da decadência humana.


Rola sobre imundos lençóis
De camas torpes do mundo,
Sai abotoando a blusa
Partindo pra mais outra,


Aumentar a renda é preciso,
Mesmo que lhe rasgue a alma,
Ouvir do padre, na matriz,
Profissão do demo é a de meretriz.


Não sabe ele que já foi menina,
Princesa de modesto castelo,
Mas os corvos da violência
Fizerem-na órfã aos cinco,


A vagar pelas ruas do abandono.
Sonha e seu sonho transborda
De desejo de mudar o imutável
Destino de quem cresceu


Tendo como mãe a sarjeta,
Amigos só os morcegos da noite,
Envenenando seu sangue
Com o soro da perdição.

26/05/05.

 

 

 

 

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