MARCAS DA VITÓRIA

Maria Hilda de J. Alão.


 


Ouvi da tua boca um arrulho inquieto
Ao contato dos nossos corpos desnudos
E o desejo era como gritos agudos
Fazendo vibrar cristalino objeto.

Puseste-me, na boca, o fruto da figueira,
Perfumado como um campo de flores,
O beijo que liberou os secretos calores
Da nossa paixão que não é passageira.

Nos teus braços viajei por costa agreste,
Submergimos no mar do prazer entre sargaços
Que me apertavam com a força de muitos braços,
Erguendo-me do cume d’um cipreste,

Para o azul do céu que torna a libido atiçada
E com o correr da mão pelo pecado,
Como o arqueiro de arco aprumado
Cravas a seta na frágil paliçada.

Com ternura acaricio teu rosto suado,
O ventre arfante e as fortes coxas
E nelas procuro as marcas roxas
Da vitória que o amor possa ter deixado.

11/02/04.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Midi:  Rings

 

 

 

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