LING LING LÉ  E  A CHICÓRIA

 

 

Maria Hilda de J. Alão.

 

 

Lá vem a Maria da Glória

Com a cabeça cheia de história

Para contar à amiga Victória

Que não gosta de chicória.

 

Era uma vez..., começou ela,

Uma sementinha amarela

Da cor de tinta de aquarela

Plantada e cercada por tela

 

Pelo chinesinho Lin Ling Lé.

Ele regava e cuidava com fé

Da semente que dormia ao sopé

Dum morro no Tremembé.

 

A semente agradecida

Disse à terra querida:

- quero conhecer quem lida

Alimentando-me a vida.

 

E a terra permitiu.

Um pequeno brotou surgiu

E Ling Ling Lé então abriu

Um sorriso na manhã de abril

 

Quando chegou para cuidar

Da semente que ia dar

Alimento para a fome acabar

E fazer forte ficar

 

A criança que a folha comer.

Estou feliz por ver -

Disse ele com a voz a tremer –

Como forte tu irás crescer

 

E a mesa de todos abastecer.

Com as vitaminas farás desenvolver

Cabeças que irão entender

As lições que vão receber.

 

Por isso te chamarei de chicória.

Para todos contarei a tua história

Provando que a luta inglória

Contra a desnutrição só terá vitória

 

Se o sistema alimentar mudar.

Muita verdura ao almoço juntar

Também pode comer no jantar

E muito suco de fruta tomar.

 

Enquanto Ling Ling Lé falava

Uma folha por vez brotava

Daquela sementinha que ele amava,

E o canteiro todo ela forrava

 

De verde que alimenta a vida,

Gerado no ventre da terra fendida

Que nos dá a comida pedida

Sem fazer disso uma dívida.

 

Victória enternecida ficou.

Disse: sabedoria o chinês demonstrou,

Por isso, amiga, inclinada eu estou

A comer o que ele plantou.

 

01/09/06.

 

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