Coisas que não vou Esquecer

Cândido


 

 
Ela chegou ao sol-posto
Com um sorriso no rosto
Sinal de quem vem feliz
 Na boca rubro batom
Nas unhas das mãos o tom
Das cores de lindo verniz
  

 Deu-me um beijo demorado,
 Quente, rubro, lambuzado.
Era o meu dia de sorte.
Disse-lhe coisas bonitas
E desapertei-lhe as fitas
 Que prendiam o decote.
  

 Olhamos os universos
 Disse-lhe, ao ouvido, versos
 Que o momento pedia.
 Ofereci-lhe uma flor
Disse palavras de amor
Que surgem no fim do dia.
 

 Ela levou-me pra casa
Porque já tudo era brasa
No seu corpo em arrepio...
Seu odor não enganava
 Aquela fêmea andava
 Em período de cio.
  

Houve abraços e carinho
Beijos mil, muitos miminhos,
Todo eu era só ternura
Dizia-me em som sumido
Coisas sem fazer sentido,
 Mergulhada na loucura.
 
 
Eu tinha as ideias roxas
Quando ela abriu as coxas
 Num gesto bonito e lento
 E me disse:- por favor,
Apaga este calor
 Que me vem de cá de dentro.
 

Meti então meu pedaço
Mas rijo que o próprio aço
Na cratera do vulcão
Depois virou de cadela
Eu saltei pra cima dela
Sempre doido de tesão.
  

A cada golpe que dava
 Seu seio até baloiçava
Para trás e para a frente
 Palavras de amor gemia
 Impropérios dizia
Como quem está demente.
  

 Ela ficou mais maluca
 Quando lhe mordi a nuca
 Seu corpo se estremeceu
 E lá dentro do vulcão
 Houve tão grande explosão
 Que o mundo desapareceu.


 Depois, os dois abraçados,
 Com o mundo em bocados,
 Como pivots do universo,
Apertei-a com carinho
 Dei-lhe um último beijinho
Disse-lhe um último verso.
   

 Notei que o seu lindo olhar
 Estava cheio como o mar
 De lágrimas de prazer
 Fiquei com elas no peito
 E chorei do mesmo jeito.
 Coisas que não vou esquecer.


  Cândido, 28/02/2004


 

 

 

 

 

 

  Musica: Shenandoah

 

 

 

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