BRAVO NORDESTINO


Maria Hilda de J. Alão.


Abre, pasmado, a boca
dela palavra não sai,
cabeça não pode pensar,
não deixam a fome e a sede.

Cacimba seca, só terra,
no quintal ele enterra
mais um boi esquelético
de fantasmagórica boiada.

A roça é, do inferno, a filial,
torrada pelo fogo do sol
lá no alto impedindo
que o céu derrame lágrimas.

Triste ele junta a família,
parte para outras plagas
onde não existam as pragas
da fome, doença e morte.

Caminhando vai o cortejo
pelas estradas ressequidas,
verdadeiros zumbis da realidade
de um país que é tão rico.

Bico curvo voa no ar
agourento carcará esfaimado
esperando que caia morto
o bravo nordestino,

mas o espírito é forte
não acredita em sorte,
luta com unhas e dentes
para vencer onde chegou.

Tem alma de menestrel
a poesia corre em sua veia,
ninguém lhe põe peia
quando canta o amor e a vida.

Bando de aves migratórias
espalhando-se pelas regiões
deixando na sociedade
o seu selo, a sua marca,

de brasileiro de valor
que guarda no peito com amor
a lembrança da terra distante,
o chão que o viu nascer.

02/04/05.

 

 

Para voltar

Clique à direita para ir para nova página

Variedades

Armando de Sousa

Principal

Poesias de amigos

Poesias de Marcial

Poesias de Cândido

Cantinho Home

Poesias de Michel


 

                                     Envie para 10 amigos

                                      clicando na figura

                                                

 

hora certa