A Solidão do Ninho

 

Cândido



De madrugada ouvi um passarinho,
Indiferente às agruras do relento,
Piar a solidão que tem no ninho
No mesmo tom de voz do meu lamento.

A companheira fiel e dedicada,
Expressão mais feliz do seu amor,
Já fora horrivelmente devorada
Pelas garras acerbas dum condor.

Também meu pobre ninho está tão frio
Há no meu leito o teu espaço vazio
Já sem o teu cheirinho na almofada.


Em cada noite a insónia é toda minha
Pra ouvir o pio da triste da avezinha
No mesmo tom da minha voz magoada.

Cândido, 23/05/2005

 

 

Fundo Musical: Inocence

 

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