ASNAR – O JUMENTO REAL

Maria Hilda de J. Alão.


Eu sou de nobre estirpe,
Dizia o jumento Asnar sem parar,
Sou filho da rainha jumenta
Da casa real jumentária.

Da rainha contavam proezas
Os velhos jumentos do lugar.
Ela fora dos homens escrava
Trabalhando noite e dia.

Um dia a história mudou.
Apareceu um jovem jumento
E encantando-se pela jumentinha
A ela declarou o seu amor.

Levou-a numa noite enluarada
Para o seu palácio real.
Logo pela manhã o rei perguntou:
Qual a origem desta jumenta?

O filho então respondeu:
Ela é a que amo demais,
Não me importa sua origem.
Eu a escolhi para reinar

Ao meu lado quando eu assumir
O seu trono por herança.
É dela que me vem a esperança
De um mundo melhor para os animais.

O jumento rei não disse mais nada.
Aceitou a escolha do filho
Lembrando que ele num dia distante
Também fez escolha semelhante

Da qual jamais se arrependeu.
Celebrou-se com festa o casório e,
Tempos depois nascia o primogênito
Asnar, o jumento do começo da história.

12/11/06.

 

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