As Coisas que tu Escreves

 

Cândido
 


Porque me falas assim,
Nessa voz tão carmesim,
Tão sedutora, dum jeito,
Como pétalas de amor
Que o vento rouba na flor
E arrasta para o meu peito?
 


As coisas que tu me escreves
São tão etéreas, tão leves,
Que eu me sinto a levitar
Num nirvana, nas alturas,
Onde nossas almas puras
Se encontram pra comungar.
 


Mas eu sou amor vadio
E numa ilha do meu rio
Construí uma cabana
Para os meus prazeres mundanos
Os meus amores ciganos,
Nos lençóis da minha cama.
 


Ai meu amor, quem me dera,
Que ao chegar a primavera
Tu pudesses ser feliz,
Na cabana colorida,
Pintura da minha vida,
Sobre lousa, a paus de giz.
 


Até troco a minha ilha,
A quem quero como filha,
Por outro lugar qualquer,
Onde um remansoso rio,
Tenha ilhas do nosso cio,
Onde possamos amar.
 


E se nada acontecer
A tristeza vai trazer
Lágrimas aos olhos meus
E vou sonhar com abraços
Tu chorando nos meus braços
E eu chorar nos braços teus.

Cândido, 4/03/2005

 

 

Midi: Je vais t'aime

 

 

 

 

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