ANIVERSÁRIO DE SANTOS

26/01/2005

Homenagem de poetas que residem na cidade

Linda, pedaço de paraíso e tantos outros nomes são dados a esta cidade, cantada por antigos e novos poetas. Hoje quero deixar aqui o meu agradecimento a Natureza por ter criado esta beleza que é a cidade de Santos. Calma, acolhedora, cheia de encantos mil e de tanta gente boa.

 

  PARABÉNS A VOCÊ  

 

 

CRÔNICAS

 

 

A IMENSIDÃO DO MAR
Marcial Salaverry
 

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Sem dúvida alguma o mar é algo que sempre fascinou o ser humano. Desde tempos imemoriais, sempre o grande desafio para o homem foi "vencer" o mar. Vã tentativa, pois o mar é invencível. Pode ser transposto, pode ser atravessado, pode ser poluído, pode ser explorado, mas vencido nunca. Quando se enfeza, nada o segura.
Recebi de uma amiga, uma pergunta interessante: Por que o MAR é tão grande? Dentro da minha lógica, respondi que NÓS é que somos pequenos ante a grandeza do mar. Ela passou-me então uma outra resposta à mesma pergunta, que lhe foi dada por um amigo.
Achei de uma profundidade tão grande, que aproveitei o embalo de estarmos falando sobre a força do mar para comentá-la. Vejam se não tenho razão:
"O mar é grande, porque se coloca um pouco abaixo do nível dos rios a fim de recebe-los".
Dentro dessa resposta que é totalmente lógica, podemos tirar uma enorme lição de humildade que nos é dada todos os dias pelo amigo Mar.
Sintam a profundidade, tanto do mar, quanto da colocação feita por essa pessoa.
Quanto mais nos dispusermos a aceitar e receber as lições que a vida nos oferece todos os dias, mais poderemos crescer interiormente, desenvolvendo nosso espírito e nossos conhecimentos.
A conclusão mais sábia que poderemos ter sobre nossos conhecimentos, é o fato de que eles nunca serão absolutos. Sempre deveremos receber novos rios para que possamos nos desenvolver tanto espiritual, como intelectualmente.
Por menor que seja o rio, sempre aumentará nosso volume. Nenhum conhecimento, por mais insignificante que pareça, deverá ser desprezado.
Muitas vezes crianças nos dizem coisas às quais não damos atenção. Por vezes são pequenos alertas sobre algo que acaba passando despercebido. Era só um riacho... mas trazia alguma coisa... um pouco mais de água para aumentar nosso volume.
O mar, portanto, é maior lição de humildade que a natureza nos oferece, pois cresceu até atingir proporções quase imensuráveis, graças as pequenas ajudas recebidas. Ele não rejeita nada. É orgulhoso de sua força e poder, mas é humilde o suficiente para aceitar as contribuições que os rios lhe trazem.
Vamos encarar a coisa sob esse prisma, passando a ver com outros olhos os pequenos favores que nos são prestados por pessoas humildes, pequenos riachos, aos quais sequer damos atenção, mas que vão nos possibilitando aumentar nosso cabedal de conhecimentos.
Por vezes escutamos coisas surpreendentes das pessoas mais inesperadas. Só para exemplificar, a título de ilustração, temos aqui na praia do Gonzaga em Santos, uma senhora, Dna. Severina que há mais de 30 anos tem um carrinho onde vende milho verde. Muita gente diz que ela "não regula", que "só fala bobagens" . Outro dia, prestando um pouco mais de atenção a ela, vi que ela tem uma filosofia de vida digna de estudos. Dentro de sua ignorância, mostrou um conhecimento profundo da vida como ela é. Foi mais um riacho... pois aproveitei muito para repensar certas coisas, certos valores...
É isso aí crianças, descobri porque amo o Mar. Não só porque faz parte do meu nome, mas sim porque é um grande exemplo de sabedoria e humildade, e justamente por isso, não se incomoda em que aproveitemos essas dicas para repensar nossa vida, aproveitando esse grande ensinamento.

Marcial Salaverry
Direitos autorais reservados
25/04/2001

 

 

A FORÇA DA NATUREZA

Marcial Salaverry

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Neste fim de semana, aqui na minha linda Santos, tivemos uma demonstração especial da força da natureza. Fomos brindados pelo espetáculo da ressaca marinha.
Não sei o que foi que o mar andou bebendo, mas que a ressaca foi brava, realmente foi.
Para quem não conhece Santos, nossa praia tem uma largura superior a 100 mts (calculando-se entre o calçadão e a "linha" do mar quando em maré normal).
Nesta ressaca o mar "varre" toda essa extensão, chegando a avançar até a avenida da praia (considerando-se que o "calçadão" dos jardins tem uma largura de 20 mts aproximadamente), proporcionando-nos um espetáculo de rara beleza.
O choque das ondas furiosas contra o paredão dos canais, contra as pedras de proteção do Emissário Submarino (também conhecido como bostoduto...) é algo para encher os olhos dos observadores privilegiados. Quanto as ondas começam a se reunir ainda ao largo, já dá para antever até onde chegará o mar. E os mais prudentes procuram os locais mais seguros para apreciar o show, longe da fúria das ondas.
Elas, quando chegam, "varrem" tudo. Qualquer coisa que estiver no caminho, será implacavelmente arrastado.
Desta vez, a coisa foi feia mesmo. Não é incoerência. Se a beleza do espetáculo da fúria das ondas em choque contra os obstáculos é maravilhoso de se ver, temos que convir que existe o reverso da medalha, considerando-se os estragos que essa beleza provoca.
Digamos que é o mesmo estrago que uma amante linda e cara provoca na conta bancária de seu "coronel".
As muretas de proteção dos canais de escoamento de águas pluviais (para quem conhece Santos, são os canais de 1 a 7) foram arrancadas pelo mar, que trouxe tanta areia para a avenida da praia, provocando até a interrupção do transito, para que as escavadeiras pudessem remover a areia deixada pelo mar.
Contudo, é um espetáculo belíssimo... As ondas já começam a se formar em alto mar, que está super agitado. E elas vem chegando... As primeiras já vem "varrendo" tudo, chegando até o calçadão. Quando principia o refluxo, outras já vem chegando... O choque das forças contrárias já é um show à parte, com a água espirrando bem alto.
Essas outras parecem estar com força redobrada pela luta anterior, e chegam ainda mais longe. Quando voltam... parece uma calmaria. Acabou tudo... o mar está lá embaixo.
Mas novas ondas se formam, e recomeça o espetáculo...
Quando a maré alta atinge seu ponto máximo não há quem resista. Alguns mais afoitos chegam um pouco mais perto, e... tomam um lindo banho quando as ondas chegam.
Esse fenômeno acontece esporadicamente aqui em Santos. Moro aqui já há 35 anos, e ainda não me cansei de assistir ao show que nos é proporcionado pela sábia Mãe-Natureza. A cada ressaca... sempre corremos para a praia para apreciar este belo show gratuito, que realmente vale a pena. Por mais que tente, jamais conseguirei descrever a grandiosidade do espetáculo. Só quem já viu é que me entende.
Não resisti... tive que comentar com meus amigos e amigas sobre isso. Sou o maior admirador que existe das belezas da Natureza. E este, agora, valeu a pena.
A maré atingiu seu "pico" máximo por volta das 13 hs. A quantidade de areia trazida pelas águas é enorme. Os jardins da praia estão cobertos de areia e do sal deixado pela água do mar.
Estou com pena das "margaridas" amanhã. O transbordamento dos canais causou inúmeros transtornos para a cidade. O problema é que a maré alta vai chegar novamente durante a noite, atingindo seu "pico" por volta de meia noite, 1 hora.
E é aí que mora o perigo. Geralmente a maré noturna é mais forte. Experimentei jogar uns quantos comprimidos de Engov para ver se cura essa ressaca brava, mas não sei não...
Bem crianças, obedeçam-me, tendo UM LINDO DIA.
Marcial Salaverry - 04/2001

 

 

VAMOS CONHECER SANTOS
Marcial Salaverry


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Existe um velho ditado que diz: Santo de casa não faz milagres. Apesar de viver em Santos há mais de 40 anos, cheguei à conclusão de que não conheço totalmente a cidade. E para travar o conhecimento mais íntimo, resolvi embarcar em um micro ônibus da Mega Link Tour para fazer um passeio turístico pelos pontos históricos da minha cidade, e fiquei surpreso com tantas coisas que desconhecia em Santos.
Acredito mesmo de que a grande maioria dos habitantes, não só de Santos, como de qualquer outra cidade, tenham esse mesmo desconhecimento pelos monumentos que se encontram espalhados aqui e ali dentro de suas respectivas cidades.
Vamos então percorrer esses locais até então desconhecidos. Falar da beleza das praias, e dos Jardins de Praia de Santos, seria enfadonho, pois todos conhecem essas belezas de sobejo. Bem como o Aquário e o Orquidário dispensam qualquer apresentação, pois fazem parte do roteiro obrigatório não só dos santistas, como também e principalmente dos visitantes, assim como o Monte Serrat e seu famoso bondinho, que também já está na agenda de todos.
O mesmo se pode dizer Museu de Pesca e a Pinacoteca Benedito Calixto, que se não tem a mesma afluência de visitantes, já são bem mais divulgados.
Certos dados como datas e outros detalhes podem ser verificados in loco. Prefiro apenas falar de sua existência, deixando que a curiosidade natural faça o resto. Aliás, a guia do passeio turístico é uma enciclopédia ambulante. Sabe tudo. Deixo os detalhes por conta dela.
Podemos iniciar pela beleza histórica que existe encravada na entrada do Túnel Rubens Ferreira Martins, que são os “restos mortais” da segunda Santa Casa de Santos. Passa-se por lá todos os dias, sem saber o que significam aquelas ruínas.
O chamado Centro Histórico de Santos ostenta orgulhoso o Panteão dos Andradas, onde repousam os restos mortais do Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, ladeado por seus irmãos. Ao lado do Panteão, existem as vetustas Igrejas da Primeira e da Terceira Ordem do Carmo, que são monumentos de grande valor histórico. Um pouco mais adiante, o imponente prédio da Alfândega de Santos. Normalmente todos o conhecem, mas quando o visitam, sempre é durante o expediente, e suas portas estão abertas. No domingo, por estarem fechadas, pudemos observar a incrível beleza destas portas, trabalhadas com imitação de sementes de café. Para apreciar, só visitando mesmo.
E o quase desconhecido Outeiro de Santa Catarina, que foi uma pequena igreja, ao lado da qual foi erguida a primeira Santa Casa de Santos. Estava quase em ruínas, mas agora está devidamente restaurada. Sequer ouvia-se falar desse belo monumento. A rua Tiro Onze com suas velhas casas ainda apresentando os famosos azulejos portugueses, sempre foi uma rua perigosa para se andar, e essas relíquias históricas estavam condenadas à demolição.
Existe um projeto que concede isenção de impostos aos proprietários desses imóveis do Centro Histórico, desde que mantenham as características histórias das construções.
Com essa medida, está sendo salva a memória de Santos, o que pode ser constatado pela maravilha que ficou o famoso e tão decantado prédio da Bolsa do Café, que na época de ouro do café, era ponto obrigatório de reunião dos “Barões do Café”, muda testemunha de sua opulência e decadência. Não existem palavras para descrever a beleza de seu interior, e muito menos que permitam saborear a delícia do café lá servido. Aliás, falar no café que lá se serve, é perder-se em odores e sabores inigualáveis. Imagine-se algo que se pode adicionar ao café, e lá poderá ser provado. Há que se ir muitas vezes para experimentar todas as variedades de misturas que caem deliciosamente bem com o café. E claro, toma-lo puro também. Pode-se dizer que lá é servido o melhor café do Brasil, e, consequentemente, do mundo.
Há que se falar das ruínas da Hospedaria dos Imigrantes, aonde todos os imigrantes que aqui chegaram, foram registrados, o que já foi visto em diversas novelas e filmes.
A Igreja do Valongo é um caso à parte, e que exige uma visitação demorada, para que se possa avaliar toda a beleza de seu interior. Apenas a título de ilustração, pode-se dizer que a grande maioria de suas imagens precisa ficar dentro de uma proteção especial de vidro reforçada, para proteger o engaste de pedras preciosas.
Existe ainda muita coisa a ser visitada. E nada melhor do vir conferir ao vivo e a cores, principalmente quem gosta de apreciar e conhecer a história, não apenas desta cidade, mas também do Brasil, pois a História de Santos está estreitamente ligada à História do Brasil.

 

 

POESIAS

 

 

CONHEÇA SANTOS
Marcial Salaverry
 

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Quem vem a Santos passear,
apenas a praia quer freqüentar...
Seus jardins são passagem obrigatória...
Mas... E sua história?
Todos vão ao Aquário,
e também ao Orquidário...
Mas ficam sem a história conhecer,
e realmente, há muito que saber...
As ruínas encravadas na saída do túnel,
representaram na história seu papel...
O Panteão dos Andradas,
Outeiro de Santa Catarina,
locais conhecidos de poucos santistas,
que dirá dos turistas...
E fazem parte da história,
contam de Santos sua glória...
Igreja do Carmo, Alfândega de Santos,
e seus belos portões, tão lindos quando fechados,
mas isso apenas nos domingos e feriados...
Igreja do Valongo, quanta história nos conta...
Suas imagens com ouro e pedras preciosas engastadas,
tem proteção especial para não serem roubadas...
E o agora famoso prédio da Bolsa do Café...
Totalmente restaurado,
é um marco das glórias de um recente passado...
Quente ou gelado, toma-se o melhor café
que se pode provar no mundo...
Lá, a história foi preservada,
e totalmente respeitada...
Há que se visitar, para jamais esquecer...
O futebol também tem seu Museu,
exaltando as glórias do time do Pelé,
da cidade, o clube de fé.
Os jardins de Santos, além de sua beleza natural,
através de seus monumentos, também contam a história,
pois sempre lembram alguém que guardamos na memória...
Martins Fontes e seus cravos na lapela, sempre renovados,
Vicente de Carvalho, Bartolomeu, e tantos sempre lembrados...
E o passeio de bonde, não podemos deixar de fazer,
pois é uma linda volta ao passado, que não se deve esquecer...
Quando Santos novamente visitar,
venha também sua história honrar...
Não fique apenas na praia, e tenha a felicidade
de conhecer este outro lado de nossa cidade...

Marcial Salaverry
01/03/2004

 

 

ORQUIDARIO MUNICIPAL
Marcial Salaverry
 

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Santos... cidade charmosa e gostosa...
Além de suas praias... seus jardins,
em prosa e verso cantados...
Encontramos um lindo local...
O Orquidário Municipal...
Em suas aléias passear,
para poder apreciar
o que tem a Natureza,
em sua total beleza,
para nos mostrar...
Árvores frondosas... centenárias...
Animais de origens várias...
Tucanos coloridos... voam atrevidos...
Temos o dourado mico leão ...
que se livrou da extinção...
gansos... marrecos... cisnes...
peixes multicores...
Os macacos brincalhões,
sempre conquistam corações...
Ah!!! As exposições de orquídeas...
Em suas formas e cores extasiantes...
Verdadeiros encantos fascinantes...
O Orquidário Municipal conhecer...
É com a Natureza conviver...
É mais feliz o dia ter...
Não podemos nos esquecer,
de que é necessário a Natureza amar...
E no Orquidário passear...
É esses laços de amizade estreitar...

Marcial Salaverry
 


 

JARDINS DE SANTOS


Marcial Salaverry

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Jardins da praia de Santos...
Por vezes o homem colabora com a Natureza,
aumentando a natural beleza...
Pelos jardins santistas passeando,
a beleza dos gramados admirando,
o incrível colorido das flores apreciando...
As fontes... os repuxos d’água... induzem a meditar...
Existem locais para dançar...
Bucólicos recantos, convidam a namorar...
Locais para entretenimento,
fazendo a felicidade
para as crianças de qualquer idade...
Seus playgrounds com brinquedos,
recebendo as crianças em seus folguedos...
As mesas para jogos mais avançados,
para alegria dos aposentados...
Pelos jardins de Santos passear,
é algo para o turista sempre relembrar...
Em seus bancos sentar...
Não apenas para descansar,
mas para o misterioso mar apreciar...
As garças... gaivotas... em seu lindo voar...
O por do sol aguardar,
para os olhos deliciar ...
E também para namorar...
O fim da tarde... induz ao romance...
Jardins de praia de Santos...
Não é atoa que são chamados,
tidos e havidos como os maiores
e mais belos do mundo...
Viver em Santos...
Estar em Santos...
Sempre será um privilégio...

Marcial Salaverry
Respeite os direitos autorais.

 


PAULISTANO SANTISTA
Marcial Salaverry
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Paulistano de nascimento,
santista de coração...
Essa a situação...
Em São Paulo nasci,
vivi, cresci,
e até me casei...
Mas para Santos mudei,
e esta cidade adotei...
Aqui meus filhos criei...
Por aventura, ou por necessidade,
tentei mudar de cidade,
mas acabei voltando,
e por aqui ficando...
Cidade gostosa de viver,
e mais ainda, de reviver,
basta saber entender
e realmente querer
se adaptar, para aqui permanecer...
Santista verdadeiro,
é aquele que ama a cidade por inteiro,
seja aqui nascido,
ou de outras plagas chegado,
sempre bem recebido,
bem tratado e respeitado...
Assim é esta Santos,
com seus jardins maravilhosos,
e outros passeios gostosos...
Os bosques do Orquidário,
as atrações do Aquário,
sempre a todos encantando,
e aqui se apaixonando...
As praias então, é covardia,
passeio obrigatório de todo dia...
Cidade plana, ideal para caminhadas,
acalmando pessoas estressadas...
Vendo todos estes dados,
concluímos ser Santos,
o Paraíso dos Aposentados...

 

 

Parabéns, Santos!
(Terê Penhabe)
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Passeio por estas ruas colhendo histórias.
Meus olhos brilham diante da cidade
que há pouco tempo eu conheci.
Eu vim de longe, não sou daqui.
Mas tanto quanto aos imigrantes
ela me acolheu em seu seio
e me embala num sonho quase infantil
de pombinhas no calçadão da praia
de ondas que vem de longe e desmaiam
enquanto olho um leão majestoso e pergunto:
-O que faz aqui?...
As saudades que eu trouxe do campo
deitaram-se sonolentas nas alegrias
que vieram ao meu encontro
dia após dia, vivendo aqui.
Sou forasteira sim, mas sou feliz
porque como disse o poeta:
"na curva perigosa dos cinqüenta..."
Deus me deu o presente inigualável
de poder olhar o mar e dizer:
-Eu sou santista!
Parabéns, Santos!
E obrigada por existir...

07.01.2005_9:34 hs
www.amoremversoeprosa.kit.net

 

 

SOB AS ÁRVORES


Maria Hilda de J. Alão.
43


Sob as árvores da minha terra
Há um encanto e um frescor,
Uma paz que se estende
Até onde a vista alcança.

Sento no banco da praia
À sombra do chapéu-de-sol
Olhando o sol que se vai.
Extasio-me com o cenário,

Percebido, somente, pela alma,
Centenas de anjos em algazarra
Cerrando o portal do dia
Para descanso dos laboriosos.

Abrem-se as cortinas da noite.
Inicia-se o eterno espetáculo
Da lua e estrelas em palco negro
Desempenhando seus papéis

De encantadores de namorados
Caminhando enlevados
Ao som de invisíveis violinos
Executando romântica melodia.

O mar levanta as saias,
De brancas rendas, das ondas,
Para a lua, mágica, pintar
De ouro a orla da praia,

Na tela dos meus olhos,
Com a paisagem de graça e viço
Plantada por ordem do Criador
No solo da minha terra.

30/12/04.

 

SANTOS II

Maria Hilda de J. Alão
43

Nas noites sem lua, quentes e chuvosas,
Não perdes tua beleza, querida!
No céu não se vê estrela perdida
E a chuva abre o solo em feridas dolorosas.

Paira no ar um doce perfume de rosas
Exalado da terra molhada, adormecida,
Cresce a relva, em grupos repartida,
Nos teus jardins de flores tão mimosas.

Na areia não há corpos nus, ardentes,
Nem crianças correndo num rumor vibrante.
Nas noites chuvosas de verão, tão quentes,
Só se vê, das ondas, o branco fulgurante.

E quando a madrugada se vai e nasce o dia,
O rosto dourado do sol é pleno de alegria
Por distribuir a sua luz e o seu calor
Nesta bela cidade onde cresce o amor.

E eu, do mais alto andar do edifício,
Vejo-te como um florido precipício
E vem o desejo de, como pássaro, voar
Cantando: - Santos, como é bom te amar!
23/02/03

 

 

AMOR INTENSO
Maria Hilda de J. Alão
(à cidade de Santos)
34


Já raiou no horizonte o sol,
e o dia começa com sons divinos;
alegres cantam os pássaros pequeninos,
nos jardins e nos velhos chapéus-de-sol.

As alamedas entre os canteiros de flores,
lembram caminhos de sonhos, de amores;
as pessoas de mãos dadas, embevecidas,
namoram, cantam canções outrora ouvidas...

Se quiseres ser feliz e com dignidade viver,
opta por esta cidade, filha do mar imenso;
rindo e brincando, as crianças podes ver,
e sentirás, em teu coração, um amor tão intenso,
lindo, por esta cidade que a todos acolhe...

 

 

OS JARDINS DA MINHA TERRA

Maria Hilda de J. Alão
 

34


Cobertos de verdes mantos vistosos,
Salpicados de lírios e suaves cravinas
Que mais parecem virginais meninas
São os jardins da minha terra, formosos.

Deslumbram visitantes simples e poderosos,
Tapete colorido bordado com estrelas divinas,
Berço perfumado de todas as aves peregrinas
São os jardins da minha terra, formosos.

Pela manhã, entre o alarido da passarada fogosa,
Distingue-se a ária do canário-da-terra,
Os cantos do sabiá e do bem-te-vi fugidos da serra,
Para viverem em êxtase nesta terra formosa.

Sob a luz da lua, entre canteiros caprichosos,
Namoram mariposas, grilos e pirilampos,
Que juntos, ao som do mar, aumentam os encantos
Dos jardins da minha terra, formosos.

E quando triste, de olhos chorosos,
Procuro algo que me aplaque a dor
Caminho pelas alamedas sentindo o odor
Dos jardins da minha terra, formosos.

27/06/03.

 

 

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