A Minha Rua

 

 

 

Cândido

 


 

Na minha rua existe uma janela
Que fica do outro lado da rua
À noite, há um vulto de mulher nua
Que posso vislumbrar através dela.


Na minha rua existe um candeeiro,
Que fica defronte da minha casa,
Quando se acende eu vejo aquela brasa,
Quando se apaga vai-se o meu braseiro.


Minha rua é cada vez mais estreita
Quando, à noite, aquele vulto se ajeita
Num ritual de deusa ou de fantasma.


E, por este andar, a minha janela
Um dia vai encostar-se na dela
E acabamos os dois na mesma cama.


Cândido, 17/02/2004

 

 

 

 

  Musica: La Montanara

 

 

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