AH! SE EU PUDESSE!

Vilma Oliveira

 



Às vezes, gostaria de soltar o verbo
Da minha garganta árida e poder
Dizer tudo isso que me queima
Por dentro das paredes flácidas
Do meu estômago que nauseia
Quando tenho que engolir...
Todas as palavras mal ditas
Que ocasiona meu riso amargo...

Às vezes, gostaria de desatar os nós
Dos punhos que me prendem...
Nesta cela estreita onde ora me escondo
Com medo do grito de liberdade
Que encolhe meus tímpanos ocos
Que ofusca meus olhos cegos de ver
Que suga meu sangue nas veias de aço...

Às vezes, gostaria de alforriar...
Essa alma escrava que habita em mim
Dizer tudo que penso do mundo e das pessoas
Falar tudo que me desnorteia o coração
Bradar evocações sem direção exata...

Sair sem tempo pra retornar
Voltar sem respostas e indagações
Correr sem cansar
Andar sem pressa
Sorrir sem chorar
Desabotoar o casaco que veste o frio
E deixá-lo desnudo diante da minha visão!

Às vezes, eu gostaria de subir aos céus
Com um belo cavalo alado (todo branco)
E conhecer o paraíso que me espera...
Mas, acho que me perdi de Deus!

Vilma Oliveira
 

 

 

 

 

 

 

  Musica: A Bela e Fera

 

 

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